{"id":49331,"date":"2025-05-26T09:00:01","date_gmt":"2025-05-26T12:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/news.filmelier.com\/entrevista-rita-lee-oswaldo-santana\/"},"modified":"2025-06-09T00:05:57","modified_gmt":"2025-06-09T03:05:57","slug":"entrevista-rita-lee-oswaldo-santana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.filmelier.com\/br\/entrevista-rita-lee-oswaldo-santana\/","title":{"rendered":"&#8216;\u00c9 importante trazer de volta as mem\u00f3rias da Rita Lee&#8217;, diz diretor de &#8216;Ritas&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo no plural n\u00e3o \u00e9 mera op\u00e7\u00e3o do acaso. <a href=\"https:\/\/www.filmelier.com\/br\/filmes\/112285\/ritas\"><strong><em>Ritas<\/em><\/strong><\/a>, longa-metragem que chegou aos cinemas na \u00faltima quinta-feira, 22, tem uma tarefa como prop\u00f3sito: entender quem \u00e9 Rita Lee em suas v\u00e1rias faces e olhares. Isso mesmo: Rita Lee deve ser tratada no presente. Morreu em 2023, mas se perpetua. Prova disso s\u00e3o as v\u00e1rias homenagens que surgem sempre \u2014 j\u00e1 s\u00e3o dois filmes sobre a cantora, este novo e um outro que j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel no HBO Max.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/news.filmelier.com\/criaturas-da-mente-entrevista\/\">\u2018Criaturas da Mente\u2019: \u2018O capitalismo n\u00e3o quer que voc\u00ea sonhe\u2019, diz diretor Marcelo Gomes<\/a><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8220;Acho que o que me ajudou muito a entender essa equa\u00e7\u00e3o [de como falar sobre ela] foi o nome do filme: <em>Ritas<\/em>. O plural, sabe? Isso abriu tudo. N\u00e3o dava pra fazer um recorte fechado, porque que recorte seria esse? A ideia era justamente abra\u00e7ar a pluralidade dela. A intensidade, a complexidade, tudo isso que faz da Rita quem ela \u00e9&#8221;, contextualiza o diretor do filme, Oswaldo Santana.<\/p>\n<p>Leia, abaixo, a entrevista completa do <strong>Filmelier<\/strong> com Oswaldo, cineasta que falou sobre Rita Lee, m\u00fasica, mem\u00f3ria e, claro, <em>Ritas<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_45062\" aria-describedby=\"caption-attachment-45062\" style=\"width: 985px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-45062\" src=\"https:\/\/news.filmelier.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ritas1-300x169.webp\" alt=\"Document\u00e1rio 'Ritas' explora as diferentes faces de Rita Lee (Cr\u00e9dito: Paris Filmes)\" width=\"985\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/news.filmelier.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ritas1-300x169.webp 300w, https:\/\/news.filmelier.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ritas1-768x432.webp 768w, https:\/\/news.filmelier.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ritas1-150x84.webp 150w, https:\/\/news.filmelier.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ritas1.webp 980w\" sizes=\"(max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-45062\" class=\"wp-caption-text\"><em>Document\u00e1rio &#8216;Ritas&#8217; explora as diferentes faces de Rita Lee (Cr\u00e9dito: Paris Filmes)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Como foi o in\u00edcio de tudo?<\/h2>\n<p>Bom, tudo come\u00e7ou com a compra dos direitos autorais da autobiografia da Rita pela Bi\u00f4nica Filmes. Esse foi o start. A partir dessa negocia\u00e7\u00e3o, surgiu a proposta de fazer o filme. A gente come\u00e7ou ent\u00e3o com uma grande entrevista com a Rita, essa que \u00e9 a base do document\u00e1rio. Paralelamente, iniciamos tamb\u00e9m o processo de pesquisa. Esses foram os dois pilares iniciais. Depois, recebemos um material espetacular da pr\u00f3pria Rita se gravando, al\u00e9m de muita coisa pr\u00e9-existente, grava\u00e7\u00f5es feitas por eles mesmos, bem caseiras, familiares&#8230; Isso tudo foi ajudando a construir a base do filme.<\/p>\n<p>A\u00ed, numa etapa seguinte, a gente abriu uma nova frente de pesquisa voltada para materiais fotogr\u00e1ficos. E com esse material, trouxemos uma nova camada ao filme, que s\u00e3o as anima\u00e7\u00f5es. Nosso diretor de arte, Carlos Fernandes, e o animador, Gabriel Vitara, entraram nessa fase pra criar esse universo gr\u00e1fico a partir das fotos.<\/p>\n<p>O projeto come\u00e7ou em 2018. At\u00e9 2020 \u2014 quando veio a pandemia \u2014 a gente estava em uma determinada etapa. Com a pandemia, esse processo da Rita se gravar se intensificou, ganhou um novo sentido, at\u00e9 uma nova justificativa. A reclus\u00e3o, o diagn\u00f3stico dela\u2026 Tudo isso acabou sendo parte do processo, inclusive do nosso amadurecimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem, aos formatos que o filme poderia ter.<\/p>\n<h2>E quanto tempo durou, no total, esse processo todo?<\/h2>\n<p>Come\u00e7ou em 2018, e eu fechei o corte final em dezembro do ano passado.<\/p>\n<h2>Nossa, ent\u00e3o foi um processo longo.<\/h2>\n<p>Muito longo. Claro que n\u00e3o foi cont\u00ednuo, teve etapas, pausas&#8230; A gente costuma dizer que teve fases de \u201cdecanta\u00e7\u00e3o\u201d, sabe? Para que as ideias pudessem assentar. E embora o corte final tenha sido fechado em dezembro, a estrutura do filme mesmo \u2014 aquilo que passamos a acreditar como o formato definitivo \u2014 a gente j\u00e1 tinha descoberto em 2022, 2023. Depois disso, foi uma quest\u00e3o de aprimorar. Tinha o trabalho de licenciamento, a recupera\u00e7\u00e3o e o restauro de imagem e som&#8230; Tudo isso interfere no corte final. Por isso eu falo que o corte final veio em dezembro, porque algumas pe\u00e7as ainda foram mudando ao longo desse processo t\u00e9cnico e legal.<\/p>\n<p><iframe title=\"RITAS (2025) | Trailer Oficial | 22 de Maio Somente nos Cinemas\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v-K1z4vi8b0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2>E como foi a troca com a Rita e com a fam\u00edlia dela? Teve alguma proibi\u00e7\u00e3o? Sabemos, por exemplo, que a quest\u00e3o dos Mutantes n\u00e3o \u00e9 bem resolvida&#8230;<\/h2>\n<p>Olha, n\u00e3o teve nenhum tipo de tabu. Para a Rita, isso nunca existiu. N\u00e3o teve esse neg\u00f3cio de \u201cisso pode\u201d, \u201cisso n\u00e3o pode\u201d. Claro, a gente foi compartilhando com eles as evolu\u00e7\u00f5es do processo. Quando surgiam d\u00favidas sobre caminhos criativos, a gente mostrava pra eles. Tudo foi muito compartilhado. Mas nunca houve imposi\u00e7\u00f5es. Ela mesma dava sugest\u00f5es, dizia \u201cputz, isso ficou realmente bom\u201d, ou ent\u00e3o questionava algo tipo \u201cser\u00e1 que isso aqui funciona?\u201d. Foram trocas criativas muito ricas. Mas sempre no terreno da sugest\u00e3o, nunca da censura.<\/p>\n<h2>Como foi equilibrar todas as facetas da Rita: os tons da vida pessoal, da m\u00fasica, da fam\u00edlia, das drogas\u2026 Como foi montar essa equa\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>Acho que o que me ajudou muito a entender essa equa\u00e7\u00e3o \u2014 essa matem\u00e1tica \u2014 foi o nome do filme: <em>Ritas<\/em>. O plural, sabe? Isso abriu tudo. N\u00e3o dava pra fazer um recorte fechado, porque que recorte seria esse? A ideia era justamente abra\u00e7ar a pluralidade dela. A intensidade, a complexidade, tudo isso que faz da Rita quem ela \u00e9.<\/p>\n<p>A partir do momento que a gente se libertou pra isso \u2014 pra dizer \u201cs\u00e3o Ritas\u201d \u2014, ficou mais f\u00e1cil buscar esse equil\u00edbrio. E esse trabalho foi muito org\u00e2nico. O document\u00e1rio nasce muito dentro da ilha de edi\u00e7\u00e3o, ainda mais quando \u00e9 baseado em arquivo. O que funciona num momento, l\u00e1 na frente pode n\u00e3o funcionar mais. E \u00e0s vezes volta a funcionar depois. \u00c9 um processo de tentativa e erro, como a escolha das m\u00fasicas: que m\u00fasica abre aquela cena, que m\u00fasica carrega um duplo sentido ali, vale a pena ou n\u00e3o? Ent\u00e3o, montar \u00e9 tamb\u00e9m remontar.<\/p>\n<h2>Assistindo ao filme, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o sentir que a Rita estava muito \u00e0 frente do seu tempo. Ou que n\u00f3s \u00e9 que ficamos muito caretas com o passar dos anos. Talvez as duas coisas, n\u00e9? Como voc\u00ea v\u00ea isso?<\/h2>\n<p>Acho que \u00e9 importante trazer de volta as mem\u00f3rias da Rita Lee, dessas figuras t\u00e3o fundamentais da nossa cultura. A Rita era transgressora, intensa, verdadeira. E justamente por isso ela nos mostra o quanto a gente ficou careta, ou at\u00e9 envergonhado. S\u00e3o palavras que nunca fizeram parte do vocabul\u00e1rio dela. Ela falava com propriedade sobre temas que at\u00e9 hoje s\u00e3o atuais: pol\u00edtica, causa animal&#8230; Tudo isso s\u00f3 ganha mais dimens\u00e3o com o passar do tempo.<\/p>\n<h2>Exemplo disso \u00e9 quando ela mostra aquele altar dela, com a Hebe Camargo, com ela mesma\u2026 Aquilo diz tanto sobre como ela n\u00e3o tinha fronteiras no entendimento do mundo, n\u00e9?<\/h2>\n<p>Exato. Aquele momento do altar \u00e9 magn\u00edfico. E eu achei at\u00e9 que voc\u00ea ia mencionar o show em que ela aparece fantasiada, interpretando&#8230; Aquilo tamb\u00e9m \u00e9 de um material rar\u00edssimo. Ela n\u00e3o confrontava por confrontar. Era uma posi\u00e7\u00e3o de vida. E, com o tempo, a gente percebe o quanto ela estava certa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo no plural n\u00e3o \u00e9 mera op\u00e7\u00e3o do acaso. 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A\u00ed, numa etapa seguinte, a gente abriu uma nova frente de pesquisa voltada para materiais fotogr\u00e1ficos. E com esse material, trouxemos uma nova camada ao filme, que s\u00e3o as anima\u00e7\u00f5es. Nosso diretor de arte, Carlos Fernandes, e o animador, Gabriel Vitara, entraram nessa fase pra criar esse universo gr\u00e1fico a partir das fotos. O projeto come\u00e7ou em 2018. At\u00e9 2020 \u2014 quando veio a pandemia \u2014 a gente estava em uma determinada etapa. Com a pandemia, esse processo da Rita se gravar se intensificou, ganhou um novo sentido, at\u00e9 uma nova justificativa. A reclus\u00e3o, o diagn\u00f3stico dela\u2026 Tudo isso acabou sendo parte do processo, inclusive do nosso amadurecimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem, aos formatos que o filme poderia ter. E quanto tempo durou, no total, esse processo todo? Come\u00e7ou em 2018, e eu fechei o corte final em dezembro do ano passado. Nossa, ent\u00e3o foi um processo longo. Muito longo. Claro que n\u00e3o foi cont\u00ednuo, teve etapas, pausas&#8230; A gente costuma dizer que teve fases de \u201cdecanta\u00e7\u00e3o\u201d, sabe? Para que as ideias pudessem assentar. E embora o corte final tenha sido fechado em dezembro, a estrutura do filme mesmo \u2014 aquilo que passamos a acreditar como o formato definitivo \u2014 a gente j\u00e1 tinha descoberto em 2022, 2023. Depois disso, foi uma quest\u00e3o de aprimorar. Tinha o trabalho de licenciamento, a recupera\u00e7\u00e3o e o restauro de imagem e som&#8230; Tudo isso interfere no corte final. Por isso eu falo que o corte final veio em dezembro, porque algumas pe\u00e7as ainda foram mudando ao longo desse processo t\u00e9cnico e legal. E como foi a troca com a Rita e com a fam\u00edlia dela? Teve alguma proibi\u00e7\u00e3o? Sabemos, por exemplo, que a quest\u00e3o dos Mutantes n\u00e3o \u00e9 bem resolvida&#8230; Olha, n\u00e3o teve nenhum tipo de tabu. Para a Rita, isso nunca existiu. N\u00e3o teve esse neg\u00f3cio de \u201cisso pode\u201d, \u201cisso n\u00e3o pode\u201d. Claro, a gente foi compartilhando com eles as evolu\u00e7\u00f5es do processo. Quando surgiam d\u00favidas sobre caminhos criativos, a gente mostrava pra eles. Tudo foi muito compartilhado. Mas nunca houve imposi\u00e7\u00f5es. Ela mesma dava sugest\u00f5es, dizia \u201cputz, isso ficou realmente bom\u201d, ou ent\u00e3o questionava algo tipo \u201cser\u00e1 que isso aqui funciona?\u201d. Foram trocas criativas muito ricas. Mas sempre no terreno da sugest\u00e3o, nunca da censura. Como foi equilibrar todas as facetas da Rita: os tons da vida pessoal, da m\u00fasica, da fam\u00edlia, das drogas\u2026 Como foi montar essa equa\u00e7\u00e3o? Acho que o que me ajudou muito a entender essa equa\u00e7\u00e3o \u2014 essa matem\u00e1tica \u2014 foi o nome do filme: Ritas. O plural, sabe? Isso abriu tudo. N\u00e3o dava pra fazer um recorte fechado, porque que recorte seria esse? A ideia era justamente abra\u00e7ar a pluralidade dela. A intensidade, a complexidade, tudo isso que faz da Rita quem ela \u00e9. A partir do momento que a gente se libertou pra isso \u2014 pra dizer \u201cs\u00e3o Ritas\u201d \u2014, ficou mais f\u00e1cil buscar esse equil\u00edbrio. E esse trabalho foi muito org\u00e2nico. O document\u00e1rio nasce muito dentro da ilha de edi\u00e7\u00e3o, ainda mais quando \u00e9 baseado em arquivo. O que funciona num momento, l\u00e1 na frente pode n\u00e3o funcionar mais. E \u00e0s vezes volta a funcionar depois. \u00c9 um processo de tentativa e erro, como a escolha das m\u00fasicas: que m\u00fasica abre aquela cena, que m\u00fasica carrega um duplo sentido ali, vale a pena ou n\u00e3o? Ent\u00e3o, montar \u00e9 tamb\u00e9m remontar. Assistindo ao filme, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o sentir que a Rita estava muito \u00e0 frente do seu tempo. Ou que n\u00f3s \u00e9 que ficamos muito caretas com o passar dos anos. Talvez as duas coisas, n\u00e9? 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