Atores que enfrentaram cancelamentos enfrentaram também o desafio de manter suas carreiras vivas em meio a controvérsias. Ainda assim, alguns nomes de Hollywood mostram que há caminhos de retorno. A seguir, relembramos casos de Alec Baldwin, Johnny Depp, Winona Ryder, Shia LaBeouf e Robert Downey Jr. — exemplos de atores que voltaram após cancelamento.
Arte e tragédia: o caso Alec Baldwin
Em outubro de 2021, durante um ensaio do faroeste Rust, Alec Baldwin disparou uma arma que, por falhas de segurança, continha munição real. O tiro matou a diretora de fotografia Halyna Hutchins e feriu o diretor Joel Souza.
O acidente levou a investigações criminais de grande repercussão. David Halls, primeiro assistente de direção, admitiu negligência ao checar a arma e fez acordo judicial. Já a armeira Hannah Gutierrez-Reed foi condenada em 2024 a 18 meses de prisão por homicídio culposo.
O filme, concluído sob o título Rust: A Lei do Oeste no Brasil, estreou em 15 de setembro de 2025 nas plataformas digitais, tratado pela equipe como homenagem a Hutchins.

Apesar da crise, Baldwin volta gradualmente a atuar em projetos menores, como Atrabilious (2025), além de participações em produções como Caçador de Tormentas e 97 Minutos. Também prepara o reality The Baldwins (2025), da TLC, sobre sua vida familiar.
Tribunais, quedas e Cannes: Johnny Depp
Johnny Depp foi uma das maiores estrelas de Hollywood, em colaborações com Tim Burton e franquias como Piratas do Caribe. Sua imagem, no entanto, ruiu após as acusações de violência doméstica feitas por Amber Heard.
O ator perdeu contratos de peso, incluindo a franquia Animais Fantásticos. Em 2022, o julgamento transmitido ao vivo garantiu vitória parcial a Depp, com indenização reconhecida pelo júri, embora também houvesse críticas às suas declarações.
A Favorita do Rei (Jeanne du Barry no idioma original), marcou seu regresso aos grandes circuitos em 2023, no qual interpretou Luís XV sob direção da cineasta Maïwenn. O longa é inspirado na vida de Jeanne Bécu e conta a história da mulher que nasceu como filha ilegítima de uma costureira e se tornou a última amante oficial de Luis XV. Abrindo o Festival de Cannes, aplaudido por plateias ansiosas em rever Depp no centro das atenções.
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Winona Ryder e a reinvenção em Stranger Things

Nos anos 1990, Winona Ryder brilhou em títulos como Edward Mãos de Tesoura (ao lado de Johnny Depp) e Os Fantasmas se Divertem. Em 2001, foi presa por furto em loja de departamentos, episódio que a afastou de papéis relevantes.
O renascimento veio em 2016 com Stranger Things, série da Netflix em que interpreta Joyce Byers. O sucesso global devolveu Ryder ao centro das atenções, apresentando-a a uma nova geração.
Shia LaBeouf: cancelamento e tentativas de reconstrução

Shia LaBeouf despontou como astro infantil da Disney e estrelou franquias como Transformers. Seu percurso, contudo, foi marcado por prisões, episódios erráticos e acusações graves — incluindo o processo movido pela artista FKA Twigs, que o acusou de abuso físico e psicológico.
LaBeouf reconheceu falhas, pediu desculpas publicamente e iniciou tratamento. Ainda assim, grandes estúdios deixaram de contratá-lo. Ele passou a atuar em produções independentes, como Padre Pio (2022), exibido em Veneza.
O ator também integra o elenco de Megalopolis, aguardado projeto de Francis Ford Coppola, ao lado de Adam Driver e Dustin Hoffman.
Robert Downey Jr.: da queda à consagração com Oppenheimer

Nos anos 1990, Robert Downey Jr. acumulou prisões e problemas com drogas, tornando-se persona non grata em Hollywood. A virada veio em 2008 com Homem de Ferro, papel como Tony Stark que inaugurou sua trajetória no Universo Cinematográfico Marvel.
O auge, contudo, foi em 2023, quando interpretou Lewis Strauss em Oppenheimer, de Christopher Nolan. O desempenho lhe rendeu o Oscar de ator coadjuvante, coroando sua reabilitação artística.
Depois da conclusão do personagem Homem de Ferro em suas franquias e na franquia original de Os Vingadores, Robert Downey Jr. é aguardado agora como o vilão Doutor Destino em Avengers:Doomsday, previsto para 2027.
Condenações, perdões e a máquina de empatia
Os cinco casos mostram que o cancelamento não é definitivo em Hollywood. Atores podem perder contratos, credibilidade e espaço, mas também encontram oportunidades de retorno, seja em blockbusters, seja em produções independentes.
“O cinema é como uma máquina de gerar empatia. Ele permite compreender um pouco mais as esperanças, aspirações, sonhos e medos dos outros.” — Roger Ebert
O público, a crítica e os festivais, de formas distintas, decidiram dar novas chances a Baldwin, Depp, Ryder, LaBeouf e Downey Jr. — lembrando que, no cinema, a linha entre queda e consagração continua tênue.
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